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Paulo Magalhães – 1982/2007

A Torre de Babel dos Bens Comuns reúne fotografias realizadas ao longo de 25 anos de trabalho fotográfico sobre natureza que deram origem a várias exposições: Ribeira Minho(1986) Portugal Natural – Vida Selvagem em Imagem, (1993,1996) Planeta Água (2005/2007).Desmontadas as exposições, as fotografias dispersaram-se por todo o país para servirem de suporte às mais variadas acções de educação ambiental.

Todas as formas de vida na terra serão afectadas pelas alterações climáticas – 20 a 30 por cento delas estarão ameaçadas de extinção com uma subida da temperatura superior a dois ou três graus. O prognóstico, é alarmante.
Inundações, secas e ondas de calor afectarão milhões de pessoas em todo o mundo, constatam os cientistas, segundo o estudo do IPCC.

Nesta obra optou-se por simbolizar o destino que está sancionado para o futuro dos organismos vivos e das paisagens. Cobriu-se um paralelepípedo que Maria de Lurdes Cravo pintou em tons quentes de amarelo e vermelho, a que se juntaram palavras em várias línguas ilustrativas dos acontecimentos que nos esperam.

As razões desta “guerra contra os nossos filhos” prendem-se com o facto dos homens não se entenderem na gestão de elementos factualmente comuns e insusceptíveis de qualquer divisão jurídica. Qualquer solução pressupõe um entendimento global, um esquema organizatório que sustente a prossecução do interesse comum de que todos estão funcionalmente dependentes.
A Torre de Babel dos Bens Comuns traduz a impossibilidade de entendimento dos homens: o mecanismo das inclinações egoísticas humanas, que se opõem entre si de um modo natural, leva à utilização desordenada e competitiva das partes comuns trazendo a ruína de todos.

Mas o ambiente, talvez mais que qualquer outro assunto, está a contribuir para a cristalização da noção de que a humanidade tem um futuro comum. A natureza está a impor-nos um acordo de garantia de futuro.

“ O que subministra esta garantia é nada menos que a grande artista, a Natureza (natura daedala rerum), de cujo curso mecânico transparece com evidência uma finalidade: através da discórdia dos homens, fazer surgir a harmonia, mesmo contra a sua vontade”.1

1 - KANT, Immanuel, A Paz Perpétua e outros opúsculos, Edições 70, Lisboa, pag.140


Copyright © 2007 Paulo Magalhães - Texto e Fotografias
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